R.I.P: Ariano Suassuna

 
      Sabe aqueles momentos em que você diz “Puts, que merda!!!” ? Pronto, hoje é um desses momentos para a literatura mundial. Sim, como vocês já devem estar sabendo, partiu hoje para o céu, o paraibano mais pernambucano que já existiu na face da Terra. Ariano Suassuna, cabra que aos três anos de idade perdeu o pai e vi sua mãe confortar os filhos e enfrentar o mundo  para dar sustento às nove crianças que criou sozinha.
      Como bem falou Raimundo Carrero, na edição comemorativa de 50 anos do Auto da Compadecida, que com a morte do pai Ariano teria firmado uma espécie de pacto, no qual se comprometia a ser um grande escrito para honrar a integridade do pai. E quem ganhou com isso? A cultura brasileira, que viu surgir um dos movimentos culturais mais importantes e relevantes para a celebração das nossas raízes.
      Foram longos os anos dedicados a reafirmação da nossa cultura. Ariano era catedrático em suas aulas-espetáculos, não admitia a incorporação de estrangeirismos à nossa língua materna, e achava que apenas as nossas raízes culturais é que representavam verdadeiramente a essência do povo nordestino.
Ah, o povo nordestino... Tão bem representado nas obras desse mestre. Sejam nos romances, nos autos teatrais, na música e em todas as expressões culturais criadas e defendidas por Suassuna, o povo nordestino sempre estava presente, com sua força, fé, garra e suas misérias. As facetas do nosso povo ficarão para sempre muito bem representadas nas páginas dos escritos do dramaturgo.
      Engana-se quem pensa que o escritor era fechado ao mundo foram do Nordeste. Desde a sua época de escola, Ariano buscava associar o conhecimento adquirido com os folhetos de cordel com clássicos como Os três mosqueteiros (Alexandre Dumas) e Scaramouche (Rafael Sabtini).  Foram essas e outras tantas influências, que o levaram para sua estreia literária em um suplemento do Jornal do Commercio (Recife), em 7 de outubro de 1945, com o poema Noturno, apresentando forte influência dos românticos ingleses.
      Muitos podem dizer que estou falando de Ariano Suassuna aqui no Blog por que ele morreu. Pode ser, mas quem já teve a oportunidade de vir aqui nesse espaço, sabe que O  Auto da Compadecida já foi resenhado aqui e mesmo que não tivesse sido, essa hora de tristeza para o universo literário deve está sendo de profundo silêncio e pesar, pois mesmo que você não goste das ideias defendidas por Ariano já deve em algum da vida, ter ouvido falar sobre seu legado.

      
     É triste saber que mais um grande mestre da cultura popular nos deixou, porém foi apenas o corpo dele que saiu de cena, e deixou o palco da vida aqui na Terra. A essência da obra deixada por Ariano Suassuna sempre estará presente, não como uma mancha, mais uma colcha de fuxicos feita com os mais belos tecidos da nossa cultura: a representação do homem nordestino em suas mais diversas, por um filho do nosso chão que enfrentou a vida desde muito cedo.
     Só lembrando que, nesse dia em que até o tronco da “madeira de lei que cupim não roí”  encerrou seu ciclo, não podemos nos apegar a tristeza. O importante é levar as obras de Ariano às novas gerações e as antigas também, pois assim como o mestre Suassuna, precisamos aprender a nos reinventar e descobrir novas formas de levar a cultura nordestina aos quatro cantos do universo.
     Obrigada por sua obra, por seus ensinamentos (Tive aula-espetáculo com ele) e por seu legado. Vai com Deus Ariano e ilumine nossas mentes para disseminarmos a cada dia nossas raízes nordestinas pelo mundo.
      


      Hoje não tem bjoxxx, apenas um agradecimento por acompanharem meu trabalho e o lembrete para vocês não esquecerem de curtir a fanpage do blog. Até a próxima.

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2 comentários :

  1. Linda homenagem que vc faz ao grande brasileiro e nordestino Ariano Suassuna.Esse grande escritor e dramaturgo,é sem dúvidas o maior expoente da literatura regional nordestina,não podemos nos olvidar de Jorge Amado,Graciliano Ramos,Zé Ubaldo, e outros.Ariano é 100% nordestino!Nunca se deixou levar pelo canto da sereia,do sudeste brasileiro,onde dizem "que tudo acontece"!Se manteve fiel até o fim às suas raizes.Aconteceu, e a muito tempo, mesmo vivendo em Pernambuco.Se notabilizou por sua ferrenha defesa de nossa lingua e de nosso sotaque.Se notabilizou por se manter nordestino!

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    1. Que bom que a senhora gostou do texto. Obrigada pela visita, bjoxxx

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