[Opinião] Minha experiência com o Vale Cultura: do céu ao inferno



      Faz pouco tempo que ouvimos falar sobre o Vale Cultura, um programa do Governo Federal que tem como principal objetivo beneficiar os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos e garantir a eles o direito ao acesso e a participação nas atividades culturais desenvolvidas em todo território nacional. Assim, em 2014 diversos artistas de vários segmentos culturais “vestiram” a camisa do projeto e divulgaram nas grandes mídias o programa, que até então não tinha chamado a atenção da grande maioria da população.
      Após essa campanha nas redes de comunicação, foi que toda sociedade passou a conhecer o programa do Vale Cultura de fato e as primeiras empresas começaram a abrir licitações e concorrência para saber qual delas seria a bandeira responsável por passar esse benefício para os funcionários de cada instituição. Finalizado todo esse processo, três empresas ficaram responsáveis por repassar esse benefício para os trabalhadores: Ticket, Sodoex e Fitcard.
      Direito do trabalhador e uma forma de retorno dos altos impostos pagos, mas pouco conhecido entre as pessoas, o Vale Cultura começou a funcionar no Brasil e a servir como um cartão de crédito cultural pré-pago, nas lojas que vendem cultura de maneira geral para as pessoas. O valor do benefício que é repassado aos trabalhadores é de R$ 50,00 mensais que podem ser gastos ou acumulados para o mês seguinte, como uma poupança cultural sem juros que aumentem ou reduzam esse valor.
      Funcionária pública, minha mãe foi uma das pessoas que puderam optar em receber ou não esse benefício, que desconta R$ 5,00 todo mês no salário. Pensando na louca de livraria que tem em casa (sim, eu mesma \0/) ela solicitou a inclusão no programa que iria me garantir no mínimo um ou dois livros novos no mês. Pausa para dancinha da felicidade!!!!!







      Passados três meses de espera e muita ansiedade (parecem séculos, quando você não entra em livrarias), Mainha chega em casa com um envelope roxo, com um cartão verde dentro. O que eu poderia dizer: Amor à primeira vista, anjos cantando, sinos tocando e tudo mais! Sim, eu estava no céu flutuando nas nuvens e gastaria o dinheiro do cartão com livros sem receio, do nome da livraria em que fiz a compra chegar na próxima fatura do cartão de crédito. Bastaria apenas me controlar e comprar os livros de maneira fracionada, já que vamos combinar: R$50,00 quase não dão para muita coisa em uma livraria. Mas, ok! O importante é que eu poderia comprar livros, ir ao cinema ou fazer qualquer outra atividade cultural com o crédito de R$ 50,00 por mês.
      Munida do meu novo cartão, sim por que Mainha disse que ia deixar ele comigo, pesquisei no site da bandeira quais as lojas/ livrarias que aceitavam o benefício e partir para as compras! Porém, a felicidade que eu sentia encontrou a primeira barreira: o cartão não estava sendo aceito nas lojas “credenciadas”, pois a maquineta que autoriza o pagamento ainda não havia chegado. Daí eu pensei “Ok, esse processo deve demorar mais uns 15 dias, dá para esperar tranquila”. Chegou o mês de dezembro, voltei na livraria com o mesmo cartão e acreditem: nada feito! Simplesmente o cartão ainda não estava sendo aceito pela falta de regularização no funcionamento.
      Após muitas idas e vindas,  entrei em contato com o call center da empresa responsável pela operação do cartão e o operador que me atendeu, informou que a bandeira estava sendo aceita nos estabelecimentos  e que caso a loja se recusasse novamente a aceitar, eu entrasse em contato com eles. Fui a todas as livrarias existentes em Recife e adivinhem: o cartão continua sem ser aceito!
      Tentei o cinema da Rede UCI aqui em Recife e adivinhem, o cartão também não é aceito. A atendente deu uma “gaitada” na minha cara e ainda fez pouco caso, falando como se o Vale Cultura fosse uma esmola que ela estava me dando. Voltei para casa com o cartão de saldo positivo e intacto. Além de mim, Mainha também entrou em contato com a empresa da bandeira do cartão e eles continuam alegando que o benefício esta em funcionamento.
      Estamos em março, e eu continuo com o Vale Cultura apenas ocupando lugar na carteira, pois ainda não conseguir usar o cartão com o benefício em nenhum lugar. Nesse processo, a única beneficiada é a empresa da bandeira do cartão que continua descontando os R$ 5,00 mensalmente do salário de Mainha como se tudo estivesse funcionando às mil maravilhas.  
      Obrigada por acompanharem meu trabalho. Não esqueçam de acompanhar as redes sociais do blog. Bjoxxx e até a próxima =)



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2 comentários :

  1. Caraaaaaaaaaamba Thati D:
    Aqui tem umas papelarias que só faltam berrar no seu ouvido que aceitam vale-cultura, maaaaaas são papelarias, e não vendem livros xD

    Eu ficaria extremamente frustrada também :<

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    Respostas
    1. Pois é Camis. E pelo que estou vendo esse problema está longe de ser resolvido, pois a empresa ainda alega que tudo funciona normalmente, mas quando a gente vai comprar alguma coisa, nada resolvido! Obrigada pelo comentário. Bjoxxx

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