[Entrevista] Bate-papo com Maurício Gomyde



       Apresentado a sua primeira editora como o “Nicholas Sparks” brasileiro, Maurício Gomyde, funcionário público, residente de Brasília, começou sua carreira como autor independente e este ano, após a feira de Frankfurt, na Alemanha, teve o livro negociado por sua agente literária e será publicado pela italiana Garzanti e a portuguesa Presença, esta última detentora dos direitos de publicação de J.K. Rowling, Kiera Cass, John Green, Suzanne Collis, Markus Zusak e muitos outros Best-sellers.  Em turnê de lançamento do seu novo livro pelo Nordeste (já passou por Salvador, veio a Recife e irá a Fortaleza no próximo sábado), Maurício Gomyde conversou com o Blog da Thati sobre o “Surpreendente”, publicado recentemente pela editora Intríseca  e realizou uma sessão de bate-papo e autografo com os leitores aqui do estado.

Blog da Thati - Por que o nome “Surpreendente” para o livro?
Maurício Gomyde -  “Então quanto eu tava escrevendo... Bem, eu não quero  dá spoiler... Eu acho que foi um nome que saiu de uma forma meio que natural, assim dentro da história, você já leu?”


Blog da Thati -
Maurício Gomyde -  “Então, você sabe o porquê, né?! Mas, eu achei que em relação ao título ele poderia ser uma coisa meio ousada, no sentido de que... O livro já tem a missão de surpreender, mas não é apenas isso. O motivo por ele se chamar “Surpreendente” é outro. Houve inclusive, uma conversa com a editora para ver se o nome do livro seria mesmo esse ou não. Eles falaram ‘Maurício você quer colocar mesmo esse nome no livro, então a gente tem que colocar coisas que o leitor realmente se surpreenda’, além do sentido que tem dentro do livro, que não posso contar. Eu acho que a ideia era fazer o leitor realmente se surpreender com  o final do livro, então eu acho que o título caiu bem no final das contas.”

Blog da Thati- Você conhece alguém que passou pelo problema de degeneração visual?
Maurício Gomyde -  “Conheço. Tem um grande amigo meu, o  César que tem um tipo de doença chamada retinose pigmentar , apesar de eu não falar o nome dela no livro, enfim... Ele foi meu estudo de caso, assim...Eu até coloquei no livro que ele foi os meus olhos, quando eu precisei enxergar coisas para colocar no livro sobre o que é ter esse tipo de problema, onde a pessoa vai ficando cega aos poucos. Então, sempre que eu precisava ou tinha alguma dúvida, eu entrava em contato com ele, enfim a gente trabalha junto e ele sempre foi muito bacana, sempre me ajudou.”


Blog da Thati – Entre tantas cidades, porque você escolheu levar seu leitor para Pirenopólis?
Maurício Gomyde -  “Quando a gente começa a escrever uma história, uma das coisas, pelo menos no meu método de escrever, é contar sobre algum lugar que seja diferente , ou pelo menos diferente do último livro, que é para dá ao leitor uma possibilidade de viver uma experiência diferente. A minha última história, antes desse livro se passava em São Paulo, Londres,  Málaga e Florença, então eu tinha uma história que a personagem ia para grandes cidades. Agora, eu quis que a história se passasse em uma cidadezinha pequena e como Pirenópolis é uma cidade que fica perto de onde eu moro e que eu conheço, é muito bacana você falar sobre a cor da cidade, o cheiro da cidade, então é muito bacana você falar sobre um lugar que você conhece. Eu recomendo para quem quiser conhecer, é um cidade pequenininha, com ruas de pedra, casinhas pequenas e várias cachoeiras em volta, então era um cenário quase pronto. “

Blog da Thati-  “Surpreendente” será seu primeiro livro publicado fora do Brasil?
Maurício Gomyde- “ Isso, o livro foi vendido agora para duas editoras. Uma editora da Itália chamada Garzanti e outra de Portugal, chamada Presença. As duas editoras são boas, eles realmente gostaram da história, já estão com o livro lá, estão começando a parte de tradução e o livro deve sair no primeiro semestre do ano que vem. É muito bacana expandir para outros mercados. Vamos ver como outras culturas recebem o livro, espero que ele tenha vida longa por lá.”


Blog da Thati- Já está pensando em escrever outro livro?  Você já pode falar um pouco sobre ele?
Maurício Gomyde- “Sim, já estou trabalhando em um novo livro, como por acaso falei hoje no evento. Sem contar spoiler ou qualquer outra informação mais detalhada, esse será meu primeiro livro com um elemento fantástico. Ele será sobre pessoas comuns, que vivem em situações supostamente comuns, mas eu estou dando esse passo por que acho que é bacana testar novos formatos, mas eu não vou fugir do meu estilo, que é escrever um romance, um drama. Eu comecei a escrever o livro agora a uma semana, dez dias atrás e eu  estou bem empolgado, por que tem várias ideias aparecendo. Para ser sincero, eu não comecei a escrever tipo ‘capitulo 1’, mas já tenho muita coisa escrita, jogada  e que eu acho que quando realmente parar  para  escrever a história irá fluir bem.”

Blog da Thati- Qual o papel da Luciana Villas-Boas para a sua carreira?
Maurício Gomyde-  “Então, quando a Luciana chega, eu já tinha dado esse passo para sair do trabalho independente para ir para uma grande editora, mas trabalhar com ela está sendo muito bacana, pois ela abriu novos horizontes, tanto para me colocar em uma editora um pouco maior que é a Intríseca, quanto para me levar para outros países, já que ela tem uma entrada boa nesses lugares e uma boa relação com agentes literários de outros países.  E um desejo que eu sempre tive foi ver meus livros transformados em filmes e ela acha que tem potencial para isso e a gente vai tentar trabalhar para isso. Hoje em dia, você ter um bom agente é bem bacana, pois ele abre muitas portas, principalmente no caso dela, que é uma agente super reconhecida.  Eu estou muito feliz de trabalhar com ela, que além de tudo se tornou uma grande amiga.”


Blog da Thati- Quanto do Maurício Gomyde tem do Pedro e vice-versa?
Maurício Gomyde- “Então, de mim o Pedro tem aquela paixão pelas artes, pelo cinema e pela música. Eu tentei imprimir no Pedro muito das coisas que eu acredito e que gosto, tipo de filme, tipo de livro. Ele é um sonhador assim como eu, todo mundo que é artista tem muito disso. O que eu tenho do Pedro e vice-versa? Acho que é difícil dissociar um pouco. Eu acho que o Pedro é um cara bastante determinado, mesmo diante de algumas dificuldades que a gente sabe que existe, como o fato de ser um autor independente, que quer tentar vencer no mercado, eu não acho que venci ainda, falta muito pra isso. Mas, é um caminho e o Pedro passa por ‘n’ dificuldades e que às vezes ele quer desistir como às vezes eu também. Uma coisa do Pedro que eu gostaria de ter e que acho que tenho, são amigos de verdade, capazes de fazer tudo o que os três fazem por ele. Eu acho quê, o que os amigos  fazem por ele é uma coisa que transcende, que prova que eles são amigos de verdade, por mais que ele tenha conhecido a Cristal e a Mayla a pouco tempo, e o Fit é o grande amigão, parceiro que sempre puxa ele para cima. Uma coisa que acho bacana falar sobre o livro e que muitas pessoas reclamam, é que o livro é cheio de clichês. Mas, o livro é todo montado em cima de clichês do cinema e a ideia é basicamente essa, já que o livro é sobre cinema.”

Blog  da Thati- Esses clichês não são o foco principal, eles são o plano de fundo para a construção do enredo da história, que na verdade é sobre amizade.
Maurício Gomyde-  “Sim, a ideia era essa, tanto é que na hora em que os quatro entram no carro, para partir ele coloca a música, o Fit grita ‘vamos colocar músicas clichês para embalar clichês do cinema’, então foi feito de propósito.”


Blog da Thati – “Por que o Pedro usa um olho turco/grego?”
Maurício Gomyde – “Quando eu fui contar a história, eu queria um símbolo que fosse representativo e que em um determinado momento ele pudesse se desfazer dele, como se fosse um ritual de passagem. Eu pesquisei sobre os símbolos e estudei muito o olho turco e escolhi por que primeiro, tem haver implicitamente com o problema dele e ao mesmo tempo por todo significado, já que representa uma coisa divina. Eu queria que aquele símbolo que a avó dá pra ele, o acompanhasse ao longo do tempo. Poderia ter sido outro símbolo, mas algum símbolo teria na história.”

Blog da Thati- Por que associar a música, a literatura e o cinema a Santíssima Trindade?
Maurício Gomyde – São três atividades que eu pratico, quando eu comecei a pensar em música, literatura e cinema veio a ideia do trio, daí a ideia da Santíssima Trindade, e depois a frase que o Pedro fala que ‘a música, a literatura e o cinema são instrumentos da Santíssima Trindade para salvar o ser humano’. Como se a divindade tivesse dito que daria algumas ferramentas para ajudar a melhorar o ser humano. É uma frase emblemática que, eu gostei bastante quando eu terminei de escrever e espero que não tratem como heresia. O ser humano sempre se agarra a alguma crença e o olho turco é um importante símbolo para os povos de cultura grega e turcas, assim como os católicos creem na Santíssima Trindade e as pessoas que têm seus ídolos nos cantores, nos escritores. Eu acho que qualquer coisa que seja para seu conhecimento pessoal e espiritual não tem problema de correlacionar uma com a outra. As pessoas entenderam direitinho como funciona a história do livro.”

   

      Obrigada por acompanharem meu trabalho. Não se esqueçam de seguir as redes sociais do blog e o canal do Youtube (Clique aqui para se inscrever). Bjoxxx e até a próxima =) 

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2 comentários :

  1. Olá, Thati!
    Visitando o blog pela primeira vez e já feliz por ter encontrado esta entrevista com o Maurício :)))
    Vou acompanhar o blog daqui pra frente, to adorando os posts!
    Bjs,
    Rebeca

    http://blogpapelpapel.blogspot.com

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    Respostas
    1. Olá Rebeca,


      Que bom que você gostou. Sempre acompanho você pelo insta e adoro seus posts. Obrigada pela visita, Bjoxxx e até a próxima

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