[Resenha] Perdida


Título original: Perdida
Autora: Carina Rissi

Editora: Verus Editora

      Em 2010, o mudo esta cheio de praticidades e de pessoas que passam bem mais tempo do que deveriam trabalhando em seus escritórios. Sofia é uma dessas pessoas. Na rotina dela o tempo é dividido apenas de duas formas: trabalho e casa. Sua melhor amiga, Nina acha que ela ainda não superou o último relacionamento que teve e que por causa disso esta depressiva. Mas, o verdadeiro “problema” é que Sofia não se sente à vontade em meio a baladas e aos caras que se sentem donos das mulheres, com suas piadas machistas e suas poses de poderosos.


      É bem verdade que ela até tenta. Às vezes e depois de muita insistência é verdade, Sofia sai para barzinhos e baladas com os amigos, mas o ambiente  é tão hostil, que ela sempre acha que esta no lugar errado. Não por acaso hoje é um desses dias, em que após muita conversa e ao perceber que a amiga tinha algo importante para contar, Sofia vai encontra-la, depois do trabalho. Mas, ao chegar no Oca (um lugar totalmente descolado e cheio de gente), ela se dá conta de que as pessoas a acham introspectiva demais pois a primeira reação é ironizar com a sua chegada. Até que a noite ia bem, até Sofia receber a notícia de que Nina está pensando em morar junto com o namorado. Apesar de todo estranhamento da notícia, Sofia fica “feliz” pela amiga, já que ela acha Rafa (o namorado) é um pouco imaturo para idade. Mas, o que acaba de verdade com a noite é o fato do celular dela cair dentro da privada, levando junto toda a vida da jovem. 


      Desesperada por outro aparelho, já que não vive sem tecnologia, Sofia sai para comprar um celular novo no dia seguinte. Ao chegar à loja tudo lhe parece diferente, afinal apenas ela e a vendedora estão lá. Depois de realizar a compra a garota percebe que aquele aparelho é muito estranho e achando que o mesmo está com defeito ela resolve voltar à loja para reclamar. Ao fazer isso, uma luz muito forte sai do aparelho e a mocinha é transportada para época do Brasil Colônia. 

      A primeira pessoa que Sofia conhece é o charmoso Ian Clarker, o dono de terras da região. Cavalheiro no melhor sentido da palavra o rapaz oferece ajuda a desconhecida, que aparentemente foi assaltada e abandonada pelos malfeitores apenas com as roupas de baixo. A primeira vista, Sofia não entende o que está acontecendo e acredita que todos a sua volta estão loucos. Mas, a tal vendedora da loja de celulares é na verdade um tipo de “fada madrinha” e conta para a moça o verdadeiro motivo dela ter sido levada duzentos anos para trás no tempo. 


      Essa viagem no tempo tem como principal objetivo fazer Sofia encontrar uma pessoa, aquela que irá fazer a moça realmente se descobrir e entender quem é de verdade. E para isso, ela contará com a ajuda indireta de Ian, que mesmo sem entender direito a moça, se apaixona por ela e faz de tudo para agradá-la. Sofia também se apaixona pelo gentil rapaz, porém ela sabe que será impossível viver esse amor já que em breve ela voltará para seu tempo. 


      A narrativa de Carina Rissi é muito bem construída com riqueza de detalhes, vestuário, construções, comportamento e expressões típicas da época, elementos bem colocados em toda a história. Apesar da diferença de dois séculos, o casal principal tem muita química e o mesmo desfecho clássico dos romances. A maneira como a história de amor deles surge é bastante interessante já que não existe a tal “Paixão a primeira vista” dos clássicos amorzinhos. O romance é construído aos poucos, passando pelas etapas que levam ao amor verdadeiro e duradouro.

      Carina Rissi pode ser considerada uma das grandes autoras do país, já que seus livros apresentam enredos bem construídos e baseados em pesquisas históricas, que fundamentam a caracterização perfeita de vários cenários e personagens.


      Um grande destaque da história de Perdida, é o fato de pelo contexto histórico do livro, estarmos na época da escravidão no Brasil. Mas, a autora explica que para ela esse período vergonhoso da história merece ser esquecido. Esse é até um dos pontos questionados por Sofia quando ela chega à casa de Ian e fala que também trabalha, assim não gosta de ser tratada como uma escrava. Assim, Carina troca os escravos por empregados domésticos (denominação atualmente usada para motoristas, empregadas domésticas, cozinheiras, jardineiras e todos os profissionais afins).


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