[Resenha] Todo mundo vê formigas


Título original: Eveybody sees the ants
Autora: A.S. King
Editora: Gutenberg

                Lucky Linderman sofre bullying desde os 7 anos e seu agressor é ninguém menos que Nader McMillan, o filho de um dos homens mais poderosos da cidade.  Além disso, foi também aos 7 anos que sua avó e a única pessoa que se dedicava minimamente ao garoto, morreu deixando-o nas mãos dos pais omissos. Para piorar as coisas ( que já não eram nada fáceis), aos 13 anos ele precisa fazer uma pesquisa de campo para sua atividade de casa, mas esse mesmo trabalho iria agravar ainda mais os ataques por ele sofridos.


                Acostumado a fala com seus “amigos” sobre suicídio, Lucky resolve usar essa piada interna em seu trabalho da escola e sem pensar duas vezes, imprime 120 cópias com a pergunta “Se você fosse cometer suicídio, qual método escolheria?”. Porém, “alertados” por uma colega de classe do garoto, os professores, a diretoria e uma equipe de especialistas passam a avaliar o comportamento dele. Assim, Lucky tem seus pais chamados à escola e recebe o encaminhamento para ser levado à profissionais da área psicológica, para poder ter um diagnóstico mais específico do seu estado de sanidade.


                Para os pais de Lucky, a vida se resume em apenas dois lugares: a piscina e a cozinha. Enquanto o pai dele não para de usar o trabalho de Chef em um bistrô da cidade como desculpa para não ficar em casa, a mãe afoga (literalmente) todas as mágoas e problemas da família nas horas que passa nadando na piscina municipal. Como forma de escapar de toda essa loucura, o garoto sonha todas às noite com maneiras mirabolantes de resgatar seu avô, um dos soldados desaparecidos da Guerra do Vietnã.


                Se a vida de Lucky já tivesse problemas suficientes, Nader parte para agressões físicas cada vez mais intensas e extremamente violentas para com o garoto. Assim, Lucky desenvolve certo grau de esquizofrenia, no qual passa a ver formigas ao seu redor. Mas, essas “novas amiguinhas” não estão ali apenas à passeio, elas passam a tentar encorajar o rapaz a colocar sua personalidade e suas opiniões para fora. O único problema é que ele continua a ser mal interpretado por suas atitudes.


                Os assuntos abordados em “Todo mundo vê formigas” possuem uma grande importância: suicídio, depressão, bullying, relacionamentos familiares, esquizofrenia e muitos outros que em sua maioria são tratados com extrema banalidade por diversas pessoas, porém o estilo narrativo da autora não funcionou muito bem para mim. Em vários momentos, foi preciso voltar um pouco na leitura para entender o quê estava acontecendo, isso sem mencionar o fato do protagonista são se esforçar muito para tentar dá uma solução verdadeira aos seus problemas. Por mais que ele não tivesse a quem recorrer, Lucky poderia ter dito ou tentado falar com a mãe para revelar o que aconteceu com ele, especialmente no que diz respeito aos ataques do Nader.


                É sempre muito difícil que uma vítima de bullying consiga o apoio das pessoas, principalmente quando o agressor possui influência ou mesmo poder sobre os membros da sociedade em que as agressões acontecem. Mas, além de criar os caminhos para desviar ou mesmo fugir das agressões, a vítima precisa ter coragem para enfrentar essas situações e denunciar o agressor.


                Outro ponto interessante é o relacionamento do Lucky com os avôs, principalmente o avô que mesmo sem terem se encontrado pessoalmente, a relação afetiva entre eles meio que “supri” a carência que o menino sente em relação ao pai. Com a mãe, a relação entre o garoto e ela é mais próxima do que com o pai.


                No geral, a escrita da autora não empolgou muito, pois o protagonista e os personagens que o acompanham demoram para reagir aos problemas que os cercam. Essa atitude seria bem legal para mostrar que é possível superar e principalmente mostrar que os agressores devem ser combatidos. Esse é o primeiro contato com a autora e tenho boas referências dos outros livros dela, principalmente o “Glory O’Brien’s History of the Future”, que em breve chegará na minha estante (assim espero!). Fora o estilo narrativo de A.S. King os temas abordados pela mesma tem grande relevância para os leitores de todas as idades.  
 
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